Por detrás do ofício

Artesanato português para a casa: como escolher

Azulejos, faiança, renda, cortiça e bordado: um breve guia do artesanato português, do que significa “feito em Portugal” e de como reconhecer o verdadeiro feito à mão.

Por Nyra Atelier9 min de leitura

Sónia Bizarro's hands knotting macramé cords against a cream wall in the Nyra Atelier studio in Porto
Nesta história
  1. Decoração feita em Portugal: o que diz a etiqueta
  2. O artesanato português em resumo
  3. O artesanato têxtil e o norte
  4. Um atelier do Porto hoje: como trabalha Sónia Bizarro
  5. Como reconhecer peças verdadeiramente feitas à mão
  6. Traga Portugal para casa: ideias de decoração
  7. Perguntas frequentes

A decoração feita em Portugal abrange muito: azulejos pintados à mão e faiança vidrada, renda de bilros, linho bordado, cortiça, cestaria, e uma geração mais recente de pequenos ateliers que fazem peças contemporâneas à mão. Este guia dá-lhe um pequeno mapa do artesanato português, algumas perguntas honestas para distinguir o trabalho feito à mão do que é simplesmente feito cá, e um olhar sobre a forma como trabalhamos no nosso próprio atelier no Porto.

Decoração feita em Portugal: o que diz a etiqueta

“Feito em Portugal” diz-lhe onde algo foi feito. Segundo as regras de origem da UE, é em termos gerais o país onde um produto sofreu a sua última transformação substancial. Não lhe diz se foi feito à mão, por quem, ou em que quantidade.

Essa distinção importa, porque Portugal tem as duas coisas. O norte do país tem uma indústria têxtil e de artigos para o lar grande e antiga, e muitas excelentes peças feitas em fábrica trazem a etiqueta. Feito à mão é uma promessa diferente: uma só pessoa, horas de trabalho e pequenas variações que tornam cada peça única. Ambas valem a pena. Basta saber qual das duas está a pagar.

O artesanato português em resumo

Um breve guia das tradições que mais provavelmente encontrará em lojas, mercados e casas.

Cerâmica

Portugal tem uma tradição de olaria profunda. As Caldas da Rainha são conhecidas pela faiança, incluindo a louça em forma de folha e de couve associada a Rafael Bordalo Pinheiro desde o final do século XIX. Barcelos, no norte, é conhecida pela sua olaria popular e pelo galo pintado que se tornou símbolo nacional. Perto de Vila Real, a olaria negra de Bisalhães é cozida de uma forma que priva o barro de oxigénio, tornando-o negro; a UNESCO inscreve-a como património imaterial que necessita de salvaguarda urgente.

Bordado de Viana do Castelo

Viana do Castelo, no Minho, dá nome a uma tradição de bordado sobre linho, trabalhado em poucas cores fortes com motivos como corações, flores e folhas. A mesma região é conhecida pelos lenços dos namorados, os lenços bordados dos namorados que levam versos cosidos.

Renda

A renda de bilros faz-se cruzando e torcendo muitos fios enrolados em bilros de madeira à volta de alfinetes numa almofada firme. Peniche e Vila do Conde são as localidades mais associadas a ela.

Azulejos

Os azulejos de cerâmica vidrada a estanho cobrem há séculos igrejas, estações, fachadas e cozinhas portuguesas. No Porto, pode vê-los em grande escala nos painéis de azulejos da estação de São Bento. Se lhe oferecerem azulejos antigos, pergunte de onde vieram: o roubo de azulejos de edifícios históricos tem sido um problema real em Portugal. Os azulejos novos, pintados à mão, são a compra mais segura.

Cortiça e cestaria

A cortiça é a casca do sobreiro, retirada à mão em intervalos de cerca de nove anos sem abater a árvore, e Portugal é o maior produtor mundial. Os cestos de vime, junco e cana ainda se tecem por todo o país, tanto para os mercados como para decoração.

O artesanato têxtil e o norte

O norte de Portugal tem uma relação particularmente longa com os têxteis: o linho outrora cultivado e tecido no Minho, as tradições de bordado em Viana do Castelo e em Guimarães, e as fábricas têxteis do vale do Ave, que ainda hoje trabalham. Mais a sul, Arraiolos dá nome a tapetes que são bordados e não tecidos, com lã cosida sobre uma base de linho ou juta.

O Porto fica na orla desta paisagem do norte. As nossas peças são desenhos contemporâneos, e não as apresentamos como parte de nenhuma tradição regional. Quando for às compras, desconfie de quem usa o nome de uma tradição de forma vaga; a coisa verdadeira tem um lugar e uma técnica sobre os quais pode perguntar.

As mãos de Sónia Bizarro a fazer croché com fio de algodão bege, uma agulha e um marcador de pontos verde
Croché em curso no atelier, ponto a ponto. Fotografia real.

Um atelier do Porto hoje: como trabalha Sónia Bizarro

A Nyra Atelier é o atelier independente de Sónia Bizarro, no Porto. A Sónia sempre se sentiu atraída pelos interiores: pela forma como uma divisão se junta e pelas texturas que a fazem parecer habitada. Começou em casa, a fazer peças para as suas próprias paredes a par da vida familiar. Essas peças chegaram a amigos e a clientes particulares e, pouco a pouco, tornaram-se a Nyra Atelier. Pode ler mais na nossa história.

Processo, materiais, tempo

No atelier, a Sónia trabalha em três ofícios: borda lã sobre tela, dá nós em cordão para fazer macramé e faz em croché pequenas personagens. O nosso guia explica a diferença entre macramé, tapeçaria e arte em fio. Trabalhamos com fios de algodão e de lã, tela e, nas peças de croché, enchimento de fibra macia de poliéster. Cada página de produto indica exatamente de que é feita essa peça, o seu tamanho e como cuidar dela.

Nada é feito em série. Uma só peça de croché pode levar 15 a 20 horas, e as nossas peças maiores levam dias de trabalho manual. Dois exemplos da parede:

  • Cadence, bordada à mão com fio de lã sobre tela esticada, 59 × 49 cm. Pequenas variações no fio tornam-na única, e só existe uma.
  • Suspenso Terra, uma peça de macramé de parede com cerca de 170 cm de largura num cordão com 80% de algodão, num ramo de madeira natural. É uma peça única e assinada pela Sónia.

Quanto ao lado do croché no atelier, escrevemos sobre como cada peça de croché é feita, do primeiro ponto ao rosto bordado.

Cadence da Nyra Atelier fotografada de lado, mostrando a textura em relevo dos pontos de lã bordados à mão em vermelho, mostarda, verde-azeitona e rosa-claro
A Cadence de lado: a lã em relevo mostra a mão. Fotografia real.

A Nyra Atelier é uma loja online. Cada peça é feita à mão no nosso estúdio no Porto e enviada de Portugal com seguimento; não temos uma loja física aberta ao público.

Como reconhecer peças verdadeiramente feitas à mão

Quem trabalha à mão costuma conseguir responder a estas perguntas sem hesitar. Um revendedor muitas vezes não.

  1. Quem a fez? Um nome e, idealmente, fotografias do trabalho em curso, não só da peça acabada.
  2. Quanto tempo leva uma? O trabalho manual mede-se em horas ou dias, e quem faz sabe o número.
  3. É uma peça única, uma pequena edição, ou um desenho feito vezes sem conta? As três podem ser feitas à mão, mas o preço e a raridade devem corresponder à resposta.
  4. De que é feita, exatamente? “Fibras naturais” é vago. “Fio de lã sobre tela esticada” é uma resposta.
  5. As irregularidades parecem humanas? Os pontos e os nós feitos à mão variam ligeiramente na tensão e no espaçamento. Peças idênticas em dezenas de anúncios sugerem uma máquina ou uma fábrica.
  6. As fotografias são da peça real? As divisões geradas por IA são hoje comuns nas lojas. Um vendedor cuidadoso identifica-as. Nas nossas páginas de produto, as imagens marcadas “Cenário assistido por IA” mostram a peça real numa divisão criada com IA, e todas as outras fotografias mostram a própria peça.
  7. Os conselhos de cuidados são específicos? Quem fez a peça sabe o que ela tolera e o que não tolera.

Traga Portugal para casa: ideias de decoração

  • Junte uma peça antiga a uma nova. Um objeto tradicional ao lado de uma peça contemporânea feita à mão evita que ambos pareçam recordações de viagem: um azulejo pintado à mão debaixo de uma jarra de grés, por baixo de uma tela de arte em fio.
  • Use o linho. As toalhas e os guardanapos bordados foram feitos para ser usados. Guardados numa gaveta, ninguém vê o trabalho.
  • Deixe a cortiça ser um material, não uma novidade. Um banco ou uma mesa de apoio de cortiça traz calor e suavidade aos pés ou ao lado de um sofá.
  • Evite a prateleira das recordações. Agrupe as peças por cor e material, não pelo sítio onde as comprou, e dê espaço a cada uma.

Vai comprar para alguém que ama o artesanato português mas cujas paredes não conhece? Um cartão-oferta da Nyra Atelier é entregue por email e deixa a pessoa escolher por si. Para oferecer a uma casa nova, veja as nossas prendas para casa nova feitas à mão.

Perguntas frequentes

Quais são os melhores artesanatos portugueses feitos à mão?

Os mais conhecidos são a cerâmica e a faiança, os azulejos pintados à mão, o bordado como o de Viana do Castelo, os tapetes de Arraiolos, a renda de bilros de Peniche e de Vila do Conde, a cortiça, a cestaria e a filigrana de ouro e prata. A par deles, pequenos ateliers contemporâneos fazem à mão arte têxtil, macramé e croché.

O que é o bordado de Viana do Castelo?

Um bordado tradicional do Minho, no norte de Portugal, trabalhado sobre linho em poucas cores fortes com motivos como corações, flores e folhas.

Como sei se uma peça de decoração é mesmo feita à mão?

Pergunte quem a fez, quanto tempo levou, de que é feita e se é única ou repetida. Procure pequenas irregularidades naturais e fotografias reais da peça. Quem faz consegue responder a tudo isto; um revendedor muitas vezes não.

Onde posso comprar decoração feita à mão no Porto?

A Nyra Atelier é uma loja online: cada peça é feita à mão no nosso estúdio do Porto e enviada de Portugal com seguimento. Não temos uma loja física aberta ao público. Pode ver as peças atuais nas nossas coleções de arte de parede e de Objetos Decorativos.

As peças feitas à mão são mais duráveis?

Não automaticamente. A durabilidade depende dos materiais, da forma como a peça foi feita e dos cuidados que recebe. O que o feito à mão lhe dá é alguém que sabe exatamente o que entrou na peça e como cuidar dela.

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